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Fosfatos: Como usá-los sem riscos PDF Imprimir E-mail

Foi liberado o uso de fosfatos não tradicionais para a alimentação do gado, como os de rocha e o superfosfato triplo. Pesquisadores da Embrapa Gado de Corte alertam para algumas recomendações.

Uma portaria do Ministério da Agricultura e do Abastecimento - MAA, de fevereiro deste ano, liberou a utilização de fosfatos (fontes de fósforo) não tradicionais na alimentação de bovinos. É o caso de fosfatos de rocha e do Superfosfato triplo. Essa decisão há muito vinha sendo cobrada por pecuaristas como uma alternativa para baratear os custos com misturas minerais, embora produtores de suplementos minerais venham afirmando que a substituição da fonte de fósforo tem efeito mínimo no custo do suplemento, especialmente no caso do Superfosfato triplo.

Pesquisadores da Embrapa Gado de Corte, alertam para cuidados a serem tomados. Alguns são a necessidade de controle das matérias-primas que serão usadas no preparo das misturas, a busca de orientação técnica e o perigo de substituição indevida de componentes para não exceder os limites de tolerância do animal. Recentemente, a Secretaria de Apoio Rural e Cooperativismo do MAA, em instrução normativa, especificou as formas de utilização e preparo das formulações contendo fosfatos.

De um modo geral, as pastagens brasileiras são deficientes em fósforo. Essa deficiência provoca perda de peso e redução na produção de vacas de cria. O gado pode receber esse elemento ao consumir misturas minerais balanceadas contendo fosfatos. O bicálcico é o mais comumente utilizado.

Fosfatos como os de rocha (tapira, de patos, de araxá) podem ser utilizados em certas situações, como na terminação em confinamento, mas são potencialmente tóxicos, especialmente para animais jovens e vacas de cria. Eles contém mais baixa quantidade de fósforo disponível ao gado se comparado às fontes tradicionais e alta taxa de flúor.

O flúor é tóxico para os bovinos e afeta, principalmente, os ossos e dentes do animal. Em médio e longo prazos, o efeito dessa acumulação de flúor pode se manifestar por lesões nas áreas afetadas, manqueira, fraturas e diminuição do consumo de alimentos, causando a perda de peso animal. Além disso, misturas contendo alto teor de fosfato de rocha não são agradáveis ao paladar animal. Para que o gado coma uma quantidade suficiente de mistura para suprir suas necessidades, ela deve estar bem balanceada e ser consumida nas quantidades adequadas.

Normatização e dosagem

O Ministério da Agricultura e do Abastecimento determinou os teores máximos e mínimos dos fosfatos alternativos utilizados nas misturas de sais mineralizados e exigiu que esses limites fossem informados em rótulos ou etiquetas dos produtos, junto com a indicação de uso adequado, as precauções e as restrições.

Tanto no Superfosfato triplo quanto nos fosfatos de rocha, a umidade não pode ultrapassar o teor máximo de 7%. A dosagem de cálcio deve ser de até 16% no Supertriplo e de 20% nos fosfatos de rocha. Nestes últimos, o teor mínimo de fósforo deve ser de 9% e sua dosagem de flúor não pode ultrapassar a 1,5%. No caso do Supertriplo, o teor de fósforo não deve baixar de 20% e o de flúor não pode ultrapassar a 0,7% da composição do produto.

Entre as recomendações do MAA, está a de que os rótulos e etiquetas dos fosfatos de rocha devam chamar a atenção para o fato de que o produto não deva ser utilizado "como fonte inorgânica exclusiva para alimentação animal". Também, que não é recomendado a aves, suínos, bovinos de leite e para formulações de suplementos proteinados.

Limite de flúor

O fosfato de rocha pode substituir uma parte de outras fontes de fósforo, mas não pode fornecer mais do que 30% do fósforo (inorgânico) da mistura final. A mistura mineral pronta para consumo não deve exceder o limite de 2.000 mg de flúor/kg do produto. Recomenda-se para novilhas o máximo de 40 ppm (parte por milhão) de flúor na matéria seca da dieta. Isso equivale ao consumo de 40 mg de flúor por kg de matéria seca que a novilha consome. Em média, o consumo diário é de 2 a 2,5% do peso vivo em matéria seca. Dessa maneira uma novilha de 400 kg (comendo cerca de 8 kg de matéria seca) poderia comer até 320 mg de flúor/dia sem prejuízos na produção. Esse nível de consumo de flúor já pode causar lesões patológicas, como fluorose dentária.

Em suplementos proteinados, com ingestão de até 500g/cabeça/dia, o risco do animal ingerir flúor em excesso é mais alto. Há relatos de fluorose dentária e manqueira em bovinos adultos, na África do Sul, associadas ao provável consumo de 223 a 510g/cabeça/dia de suplemento com 1.400mg de flúor/kg.

Um dos sintomas da carência de fósforo na alimentação do gado é o chamado apetite depravado, que leva o bovino a comer, lamber ou roer couro, tendões, ligamentos, carne e ossos de cadáveres em estado de putrefação e faz com que o gado passe a ingerir toda sorte de materiais estranhos à sua dieta alimentar, como terra, pedra, madeira, borracha e plástico, entre outros, encontrados na pastagem. O apetite depravado dos bovinos torna o animal mais susceptível a contrair doenças, como o botulismo, que é provocado por toxinas de bactérias, freqüentemente presentes em matéria orgânica em decomposição.

BOX:

Suplementos minerais para gado de leite

As funções dos minerais no organismo do animal são muito variadas e, algumas delas, complexas. Para melhor compreensão destas funções, pode-se resumí-las em praticamente duas:

  1. função estrutural, isto é, o mineral participando da estrutura do tecido ou de compostos orgânicos;

  2. função metabólica, ou seja, os minerais participando do metabolismo dos outros nutrientes de dieta.

Portanto, devido à grande importância dos minerais, é necessário que a dieta do gado de leite contenha quantidades suficientes para atender as suas necessidades. Para isso, muitas vezes tem-se que usar suplementos minerais, que podem ser adquiridos no comércio sob a forma de produtos "prontos para uso" ou de concentrados, ou mesmo serem preparados na própria propriedade. Neste último caso, o produtor deve estar atento a dois problemas:

  1. Aquisição dos ingredientes – devem ser adquiridos de firmas idôneas, com bom controle de qualidade.

  2. Homogeneidade da mistura – o produtor deverá ter, preferencialmente, um misturador na propriedade. Caso contrário, haverá grande possibilidade de a mistura não ficar homogênea.

A seguir são apresentadas algumas formulações de misturas minerais, em que se usam como fonte de fósforo o fosfato bicálcico e/ou a farinha de ossos calcinada.

Mistura 1

INGREDIENTES

QUANTIDADE

(%)

Fosfato bicálcico

55,50

Sal comum

43,43

Sulfato de cobre

0,50

Óxido de zinco

0,50

Iodato de cálcio

0,03

Sulfato de cobalto

0,03

Selenito de sódio

0,009

 

Mistura 2

INGREDIENTES

QUANTIDADE

(%)

Farinha de ossos calcinada

66,00

Sal comum

32,93

Sulfato de cobre

0,50

Óxido de zinco

0,50

Iodato de cálcio

0,03

Sulfato de cobalto

0,03

Selenito de sódio

0,009

 

Mistura 3

INGREDIENTES

QUANTIDADE

(%)

Farinha de ossos calcinada

33,00

Fosfato bicálcico

27,80

Sal comum

32,93

Sulfato de cobre

0,50

Óxido de zinco

0,50

Iodato de cálcio

0,03

Sulfato de cobalto

0,03

Selenito de sódio

0,009

 

Considerando que os minerais participam no processo de utilização do alimento pelo animal, para que haja uma resposta positiva à suplementação mineral, é necessário que também haja alimento disponível.

Fonte: SNA

 
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